Um francês repatriado do cruzeiro afetado por hantavírus apresenta 'sintomas'
Um francês repatriado neste domingo (10) após ser evacuado do cruzeiro afetado por um surto de hantavírus apresenta "sintomas", informou o primeiro-ministro Sébastien Lecornu, enquanto as autoridades espanholas coordenam o desembarque dos cerca de 150 ocupantes do navio em Tenerife, nas Canárias.
Os passageiros, vestidos com trajes de proteção azuis, iam descendo em pequenos grupos do cruzeiro Hondius no porto de Granadilla. A embarcação partiu em 1º de abril da Argentina antes de sofrer o surto que matou três de seus passageiros.
Do navio, eles foram levados até o pequeno porto em lanchas, segundo observou uma jornalista da AFP.
Até as 15h30 GMT (12h30 em Brasília), já haviam partido os aviões com os espanhóis, os franceses e os canadenses, além de uma aeronave holandesa que transporta pessoas de diversas nacionalidades, entre elas um argentino e um guatemalteco.
Após a chegada à França de cinco cidadãos repatriados, Lecornu anunciou que um deles apresentou "sintomas no avião".
"Esses cinco passageiros foram colocados imediatamente em isolamento rigoroso até novo aviso", indicou Lecornu, que também anunciou que o governo emitirá um decreto para implementar essas medidas.
Apesar do alarme mundial provocado pelo surto, Carlo Ferello, um engenheiro aposentado argentino, relatou ao canal local TN que o ambiente no cruzeiro não era "preocupante" porque, depois dos casos iniciais, "não apareceram mais".
"Eu estava sozinho, então sempre comia, tomava café da manhã, almoçava, jantava sozinho, não tinha muito contato (...) A vida continuou, digamos, normal", acrescentou Ferello, que fará quarentena nos Países Baixos.
- Medidas extremas de proteção -
A diretor de Proteção Civil espanhola, Virginia Barcones, declarou à RTVE que, se tudo ocorrer "conforme o previsto, o navio zarpará rumo aos Países Baixos às 19h00" (15h00 em Brasília) de segunda-feira.
Os primeiros a sair foram os catorze espanhóis, por volta das 08h30 GMT, que foram levados ao aeroporto de Tenerife Sul, a 10 minutos dali, onde um jornalista da AFP viu sua chegada em ônibus vermelhos da Unidade Militar de Emergência (UME), com a parte do motorista separada dos passageiros por uma espécie de barreira profilática.
Ao chegar ao aeroporto, os espanhóis trocaram os trajes de proteção e foram desinfetados antes de decolar às 10h55 GMT em direção a Madri, onde serão enviados a um hospital militar para cumprir quarentena.
A mesma operação ocorrerá com os demais passageiros e membros da tripulação de outras nacionalidades.
O último voo, com destino à Austrália, partirá na segunda-feira, acrescentou a ministra, que está ao lado de outros ministros e do diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, coordenando e supervisionando a operação.
- "Isto não é outra covid" -
"A operação começou e está indo muito bem. Agradecemos também a coordenação por parte da Espanha, e a UE também está aqui", afirmou Ghebreyesus.
No porto da ilha do arquipélago atlântico das Canárias era possível ver o esquema montado, com tendas da Guarda Civil e os ônibus vermelhos da UME para o traslado dos passageiros do Hondius ao aeroporto. O navio partiu em 1º de abril de Ushuaia, no extremo sul da Argentina.
O governo espanhol insistiu que a operação conta com "todas as garantias de saúde pública".
O chefe da OMS havia sido enfático na véspera: "Preciso que me escutem com clareza: isto não é outra covid. O risco atual para a saúde pública derivado do hantavírus continua sendo baixo".
O último balanço da OMS, antes do relato do caso suspeito na França, registrava um total de seis casos confirmados entre oito suspeitos, incluindo um casal de passageiros holandeses e uma alemã mortos por esse vírus conhecido, porém pouco frequente, para o qual não há vacina nem tratamento.
- "O mundo nos observa" -
O navio permanece fundeado, sem atracar, no porto de Granadilla para não tocar terra, por pedido expresso das autoridades regionais das Canárias, que deixaram clara sua oposição.
"Não vão colocar em perigo a população com minha autorização e conivência", declarou o presidente regional, Fernando Cavijo.
"O mundo nos observa novamente. E novamente a Espanha, como em muitas outras crises, responderá à altura do que é este grande país, com exemplaridade e eficácia", disse neste domingo o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, em um ato de seu Partido Socialista na Andaluzia.
V.Espinoza--ECdLR