Venezuela cresceu quase 9% em 2025 graças ao petróleo (Banco Central)
A economia venezuelana cresceu quase 9% no ano passado, informou, nesta quarta-feira (4), o Banco Central do país, que atribuiu esta alta ao setor petroleiro, apesar do embargo americano, agora flexibilizado após a destituição do presidente Nicolás Maduro.
Depois da incursão militar americana, que levou à captura de Maduro em 3 de janeiro, a Venezuela cedeu aos Estados Unidos o controle da comercialização de seu petróleo e reformou sua Lei de Hidrocarbonetos para permitir maior participação privada.
O Banco Central da Venezuela (BCV) informou que em 2025 a economia cresceu 8,66% e analistas preveem que em 2026 o crescimento poderia se situar entre 10% e 15%.
O Produto Interno Bruto (PIB) venezuelano tinha encolhido cerca de 80% em uma década e começou a se recuperar no segundo trimestre de 2021, depois que foram suspensos os controles de preços e foi permitida uma dolarização informal.
Em 2024, o PIB teve alta de 8,54%, segundo o BCV.
Mesmo assim, os venezuelanos seguem se queixando dos baixos salários e do altíssimo custo dos produtos básicos, como alimentos e medicamentos. A renda média se situa entre 100 e 300 dólares (entre R$ 528 e R$ 1.585, na cotação atual), abaixo dos 700 dólares (R$ 3.700) que, segundo estimativas privadas, são necessários para cobrir a cesta básica.
O BCV destacou que o país acumula 19 trimestres de crescimento.
"A economia venezuelana registra um maior nível de atividade econômica, fortalecendo cada vez mais seu processo de recuperação", declarou o BCV, que não publica regularmente indicadores econômicos, em nota à imprensa.
Especialistas advertem, no entanto, que em uma economia cinco vezes menor que em 2013, variações sutis podem inflar os percentuais de crescimento.
O BCV não divulgou os resultados completos do setor petroleiro em 2025, mas reportou um aumento de 13,41% no quarto trimestre. Maduro tinha dito, em dezembro, que o ano encerraria com alta de 19%.
A Venezuela vendeu seu petróleo com desconto elevado no ano passado devido às sanções dos Estados Unidos.
Após a deposição de Maduro, Washington assumiu o controle das vendas. Os lucros agora são depositados em um fundo no Catar, disponível para o novo governo venezuelano, encabeçado pela ex-vice-presidente de Maduro, Delcy Rodríguez.
D.Díaz--ECdLR