Filha de Maradona critica duramente 'manipulação' da família por equipe médica de seu pai
Uma das filhas de Diego Maradona denunciou, entre lágrimas, nesta terça-feira (21), perante a Justiça argentina, a "manipulação absoluta e horrível" da equipe médica de seu pai e assegurou que, após a notícia de sua morte, não queria "mais viver".
Gianinna Maradona sustentou que ela e seus irmãos aceitaram a internação domiciliar de seu pai depois que a equipe médica a apresentou como a melhor alternativa após a neurocirurgia a que o ex-jogador foi submetido em 3 de novembro de 2020.
Maradona morreu no dia 25 daquele mês e o julgamento busca determinar, entre outras coisas, se essa modalidade de atendimento foi apropriada.
Segundo o depoimento de Gianinna, o que a família encontrou depois na casa onde Maradona convalescia não coincidiu com o que haviam prometido: disse que não havia equipamento médico, monitoramento constante nem uma ambulância disponível, embora fosse esperada uma assistência permanente.
"A manipulação foi absoluta e horrível", disse Gianinna na audiência em San Isidro, 30 km ao norte de Buenos Aires.
"Confiei nestas três pessoas e a única coisa que fizeram foi nos manipular e deixar meu filho sem avô", acrescentou, ao se referir ao neurocirurgião Leopoldo Luque, à psiquiatra Agustina Cosachov e ao psicólogo Carlos Díaz.
Mais adiante na audiência, ao recordar que já se passaram seis anos da morte de seu pai, ressaltou entre lágrimas: "Não houve uma noite sequer em que eu não tenha ido para a cama implorando para que me levasse com ele, em que eu não quisesse mais viver."
"Tive de recorrer a um psiquiatra e a estar medicada", acrescentou, antes de se retirar por um momento da sala devido à comoção que lhe causou o seu próprio depoimento.
Além de Luque, Cosachov e Díaz, outros quatro acusados podem pegar até 25 anos de prisão por homicídio com dolo eventual, uma acusação que implica que tinham consciência de que suas ações poderiam ocasionar a morte.
Em diversos momentos, Gianinna acusou a equipe médica de fazer um discurso para a família e outro distinto entre si.
"Para além do que falavam conosco, eles tinham em paralelo outra estratégia", indicou, depois que foram exibidos áudios de WhatsApp que os integrantes da equipe médica de Maradona haviam trocado entre si sobre como se protegerem diante de uma eventual complicação do ex-jogador.
"Nada do que nos disseram estava acontecendo, não havia equipamentos. Havia sim enfermeiras, apoio terapêutico, mas pensávamos que ele estaria sendo monitorado", relatou.
Esta é a segunda vez que a Justiça tenta esclarecer as circunstâncias da morte do astro do futebol, depois que o primeiro julgamento foi anulado no ano passado quando veio à tona a informação de que uma das juízas estava participando de um documentário clandestino sobre o caso.
Com duas audiências semanais, está previsto que o processo dure pelo menos até a segunda quinzena de julho. Uma oitava acusada será julgada em separado por um tribunal do júri. Cerca de 120 testemunhas foram convocadas para esse processo.
E.Gutiérrez--ECdLR