El Comercio De La República - EUA ameaça castigar Irã após ataques de rebeldes do Iêmen a navios

Lima -
EUA ameaça castigar Irã após ataques de rebeldes do Iêmen a navios
EUA ameaça castigar Irã após ataques de rebeldes do Iêmen a navios / foto: Mohammed HUWAIS - AFP

EUA ameaça castigar Irã após ataques de rebeldes do Iêmen a navios

A guerra no Oriente Médio se espalha para novas frentes e ameaça ter repercussões na economia global com a ofensiva dos rebeldes do Iêmen, aliados ao Irã, contra navios sauditas no Mar Vermelho.

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou aplicar "um grande castigo militar" ao Irã e aos rebeldes huthis no Iêmen caso lancem novos ataques.

As hostilidades entre os EUA e o Irã foram retomadas no início deste mês após um cessar-fogo de algumas semanas, e voltaram a mergulhar a região no caos pelo controle do vital Estreito de Ormuz.

O conflito se espalhou para o Mar Vermelho esta semana, depois que rebeldes iemenitas declararam um bloqueio aos portos sauditas e alegaram ter atacado dois petroleiros sauditas.

O petróleo Brent do Mar do Norte ultrapassou os US$ 100 por barril durante o dia, em meio a temores sobre o fornecimento de petróleo pelo Mar Vermelho, uma rota alternativa ao Estreito de Ormuz.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou em uma reunião do Conselho de Segurança que a situação no Oriente Médio "está fora de controle".

"Uma crise alimenta a outra. Uma escalada desencadeia a próxima", disse ele.

Enquanto isso, Jordânia e Kuwait informaram ter interceptado projéteis, e o exército do Irã e sua Guarda Revolucionária anunciaram golpes contra alvos militares americanos em ambos os países.

"As represálias das forças armadas continuarão enquanto prosseguirem os ataques dos Estados Unidos contra a infraestrutura e as zonas costeiras do país", afirmou o porta-voz das forças armadas iranianas, Mohammad Akraminia, segundo a televisão estatal.

- Ataques no Mar Vermelho -

Essas hostilidades ocorreram após a décima segunda noite consecutiva de ataques dos EUA contra instalações militares da República Islâmica.

Na quarta-feira, o presidente Donald Trump advertiu que seu país bombardeará a infraestrutura civil iraniana sempre que Teerã disparar contra embarcações em Ormuz, devido à importância desse estreito no comércio mundial de hidrocarbonetos.

O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, respondeu que Teerã responderá da mesma forma: "Nossa doutrina de defesa é clara: olho por olho”.

Os meios de comunicação estatais iranianos informaram nesta quinta-feira que um ataque americano matou duas pessoas em Shalamcheh, na fronteira com o Iraque.

Também relataram que dois mísseis americanos atingiram Bushehr, sede da única usina nuclear civil do país e alvo frequente de Washington.

Os huthis iemenitas afirmaram que atacaram na quarta-feira, com mísseis e drones, dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho, o Encelia e o Layla, concretizando assim a sua ameaça de bloquear a Arábia Saudita nessas águas, que servem de rota alternativa a Ormuz.

Riade confirmou que o Encelia foi atingido, sem fazer comentários sobre o outro petroleiro.

Ainda não está claro até que ponto os huthis poderiam impor um bloqueio, mas a ameaça poderia agravar o impacto do bloqueio que o Irã mantém em Ormuz.

A Guarda Revolucionária afirmou nesta quinta-feira ter impedido a passagem de três petroleiros por Ormuz enquanto Washington e Teerã disputam o controle dessa rota por onde transitava cerca de um quinto do petróleo mundial antes da guerra.

À margem de uma cúpula do Sudeste Asiático nas Filipinas, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse que o Irã havia enganado os huthis para que atacassem o tráfego no Mar Vermelho.

"Os huthis, em geral, foram inteligentes e se mantiveram à margem durante todo o conflito, mas agora, ao que parece, deixaram-se enganar e partiram para cima da Arábia Saudita e de seus navios", avaliou.

Omã, mediador na prolongada guerra entre huthis e Arábia Saudita, afirmou que trabalha para retomar as conversas entre as partes, e expressou "grande preocupação" com a situação no Mar Vermelho.

G.Delgado--ECdLR